Nova medicação para o Alzheimer: um novo horizonte nas opções de tratamento

Aprovado pela Anvisa, o Donanemabe inaugura uma nova era no tratamento do Alzheimer, trazendo esperança e mais tempo de qualidade de vida.

A Doença de Alzheimer é um desafio de saúde global, e a busca por tratamentos eficazes é constante. No final de abril de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu um passo importante ao aprovar o registro do Donanemabe (Kisunla). A importância desse evento na comunidade científica reside no fato de, pela primeira vez, haver disponível uma medicação capaz de agir no mecanismo fisiopatológico por trás da Doença de Alzheimer. O Donanemab atua depurando as placas de proteína beta-amiloide, que se acumulam no cérebro e danificam os neurônios, processo conhecido como o maior marcador da evolução do Alzheimer.

Até então, as medicações disponíveis para o Alzheimer focavam principalmente no alívio dos sintomas, ajudando a gerenciar o comportamento ou a cognição, mas sem modificar o curso da doença.

Em testes rigorosos, que acompanharam as habilidades cognitivas e funcionais dos pacientes por 18 meses, o novo tratamento alcançou uma promissora redução na velocidade de progressão desses domínios em 25%. Embora essa porcentagem possa parecer modesta e não tenha havido benefício na melhora do estado atual dos pacientes, isso pode representar um tempo valioso de autonomia e qualidade de vida para eles.

É importante lembrar que essa medicação foi aprovada para quadros iniciais de Alzheimer ou em estágios de comprometimento cognitivo leve, com pacientes ainda funcionais.

A aprovação do donanemabe não foi um evento isolado, mas sim o culminar de anos de pesquisa e desenvolvimento. As medicações que atuam na remoção das proteínas beta-amiloides do cérebro — intimamente associadas à patologia do Alzheimer — vêm sendo extensivamente testadas. Ao longo dos anos, houve diversas tentativas de introduzir terapias semelhantes no mercado, muitas vezes cercadas por debates, como em 2021 e 2022, quando alguns países não as aprovaram devido a um benefício clínico considerado baixo.

Apesar do otimismo, a implementação do medicamento na prática clínica exige cautela. O tratamento está associado ao risco de efeitos colaterais conhecidos como ARIA (anomalias de imagem relacionadas à amiloide), que incluem edema cerebral e micro-hemorragias. Para garantir a segurança do paciente, é essencial um monitoramento rigoroso por meio de ressonância magnética (RM) do cérebro em intervalos regulares.

A chegada do donanemabe ao mercado brasileiro está em fase de implementação. A comercialização e a definição de seu preço ainda estão sendo estabelecidas, e a expectativa é que, em breve, ele esteja disponível para os pacientes que se enquadram nos critérios de uso.

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